Casos envolvendo motocicletas lideram o número de atendimentos nos hospitais do município. Créditos: Edu Kapps/SMS
Os acidentes de trânsito seguem sendo um dos principais desafios de saúde pública no Rio de Janeiro e ganham ainda mais visibilidade durante o mês de maio, com a campanha Maio Amarelo de conscientização para redução de sinistros viários. No Rio, a Prefeitura lançou no ano passado o Plano Municipal de Segurança Viária (2025 a 2028), com objetivo de reduzir as mortes no trânsito até 2030. Os dados de atendimentos à vítimas de trânsito nas unidades da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostram o peso desses eventos no dia a dia dos hospitais de urgência e emergência da cidade, especialmente quando envolvem motociclistas.
Em 2025 foram 47.075 atendimentos a vítimas de acidentes de transporte terrestre na rede de urgência e emergência municipal, de acordo com o Observatório Epidemiológico da cidade do Rio de Janeiro (EpiRio), desenvolvido pelo Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE). O Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, concentrou o maior número de atendimentos no ano passado, seguido pelo Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Os números evidenciam a pressão constante sobre as unidades de referência em trauma da cidade.
“A cada dia recebemos mais vítimas de acidentes de trânsito em nossos hospitais, que poderiam ser evitados. As ocorrências com motocicletas representam a maior parte dos atendimentos na rede municipal, impactando diretamente a capacidade de resposta das unidades. É uma demanda muito alta na cidade e que vem crescendo nos últimos anos. Por isso, no ano passado, criamos os setores voltados especialmente às vítimas desses acidentes no Hospital Municipal Barata Ribeiro e no Hospital do Andaraí, para garantir um atendimento mais ágil e adequado para esses pacientes. Mas é fundamental lembrar que a segurança começa na prevenção. Um trânsito mais seguro depende da responsabilidade de todos”, diz o secretário municipal de saúde, Rodrigo Prado.
Os acidentes com motocicletas são, de longe, os principais responsáveis pela demanda na rede municipal, representando 68,2% dos atendimentos nos três últimos anos, segundo o Relatório de Segurança Viária de 2025. Além disso, no que se refere a notificações, a motocicleta está envolvida em 69,5% dos casos registrados em 2025, de acordo com dados do EpiRio. O cenário acompanha o aumento da frota de veículos de duas rodas na cidade, que cresceu significativamente nos últimos anos, ampliando a exposição ao risco e a gravidade dos acidentes.
Somente nos quatro primeiros meses de 2026, já foram mais de 11,9 mil atendimentos a pacientes com esse perfil na rede. Além da sobrecarga assistencial, os acidentes de trânsito geram impactos diretos na estrutura do sistema público de saúde, exigindo leitos, equipes especializadas e recursos de alta complexidade para o atendimento de traumas. As consequências também geram impactos sociais e econômicos, afetando principalmente jovens adultos e suas famílias.
Durante a campanha do Maio Amarelo, a Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância de comportamentos seguros no trânsito, como respeitar os limites de velocidade, evitar uso de celular ao volante, não dirigir sob efeito de álcool e utilizar equipamentos de proteção, como capacete e cinto de segurança.













