Rede municipal registra 533 atendimentos em cinco dias | Crédito: Edu Kapps/SMS
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio faz um alerta sobre o uso de pomadas modeladoras de cabelo para o réveillon. Do Natal até domingo (28), as unidades de urgência e emergência da cidade do Rio registraram uma média de 118 atendimentos diários de lesões oculares causadas por pomadas modeladoras de cabelos, que ao entrarem em contato com os olhos podem causar queimaduras nas córneas. Somando as unidades da rede municipal, a média dos dias anteriores ao Natal (14 a 24/12) era de 62 casos diários. Isso representa um aumento de aproximadamente 90% na média diária de atendimentos.
O aumento do número de pacientes procurando UPAs e hospitais de urgência e emergência com lesões oculares foi observado já no dia de Natal e se estendeu ao longo do fim de semana. Ao todo, foram 472 notificações no período de 25 a 28 de dezembro. Cerca de 30% das pessoas atendidas nesse período eram crianças e adolescentes. Os principais sintomas são coceira nos olhos, vermelhidão, irritação, ardência, inchaço. Nos casos mais graves, a visão fica turva e o paciente não consegue enxergar.
As pomadas modeladoras são usadas para fixar tranças e outros penteados. O problema acontece quando os cabelos são molhados e o produto escorre para os olhos, causando quadros de ceratite química, conjuntivites e até queimaduras da córnea, o que pode levar à cegueira temporária. Com o forte calor que tem feito nos últimos dias, até mesmo o suor pode fazer o produto escorrer para os olhos.
Desde 2023 a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) vem notificando casos de lesões oculares relacionadas às pomadas modeladoras de cabelos. A ocorrência aumenta nos períodos de festas, como carnaval, Natal e Ano Novo. Segundo o oftalmologista Vitor Cerqueira, do Hospital Municipal Souza Aguiar, referência em atendimento de oftalmologia de emergência, o problema está no uso de produtos que não passam por controle dos órgãos regulatórios, como a ANVISA, e que não se sabe o que foi usado em sua composição.
“Essas pomadas são produtos com composição química variada e sem controle pelos órgãos regulatórios. Trata-se de uma padronização difícil, com diversos fabricantes não regulados. Mas todos têm uma característica em comum: derreter em contato com líquidos, inclusive o suor. Isso faz o produto chegar em abundância na região dos olhos, causando a lesão”, explica o especialista, que é responsável também pelo curso de urgências da Sociedade Brasileira de Oftalmologia.
O médico alerta sobre os cuidados que a pessoa deve ter para evitar uma lesão ocular: “O ideal é não utilizar produtos que não sejam aprovados pelos órgãos reguladores, mas caso tenha utilizado, lave os cabelos sem deixar que a água escorra para a região dos olhos. Atenção também para não pegar chuva, e não mergulhe no mar ou na piscina.”













