
A artista Carla Ferraz decidiu dar um passo importante na vida: parar de fumar. Fumante desde os 13 anos, ela abandonou o cigarro durante a pandemia após pedir ajuda a uma amiga, que indicou o Programa de Controle do Tabagismo na Policlínica Antônio Ribeiro Netto, no Centro do Rio. O programa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é oferecido em todas as unidades de Atenção Primária do município. Após 20 anos de vício, Carla afirma que sua vida mudou completamente. Está livre do cigarro há quatro anos, e já economizou mais de 12 mil reais. Nesta sexta-feira (29) é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, data dedicada a alertar os malefícios do tabagismo.
Carla começou a fumar ainda na adolescência, influenciada pelo comportamento da mãe e pela ideia de que fumar era uma “moda”.
“Eu não tinha um motivo. Comecei porque era modinha, queria fumar. Via a minha mãe fumar e ficava curiosa. Mas era muita coisa de adolescente. Comecei e nunca mais parei”, lembra a artista Carla.
Segundo a psicóloga Ana Helena Rissin da SMS, 90% dos fumantes começam até os 19 anos, em grande parte influenciados pelas propagandas da indústria do tabaco. Para prevenir o início precoce do hábito e conscientizar sobre seus riscos, o Programa de Tabagismo atua em parceria com o Saúde na Escola buscando alcançar o público jovem por meio de ações educativas.
O Programa de Controle do Tabagismo oferece acompanhamento a quem deseja parar de fumar, além de promover a desnaturalização do cigarro em ambientes coletivos. O tratamento inclui medicação e apoio psicológico e social.
“Fazemos o paciente refletir sobre o porquê de fumar e o que pesa mais na vida dele. Esse processo de conscientização ajuda a entender que parar é a melhor escolha em todos os sentidos”, explica a assistente social Priscila Ricciotti, da Policlínica Antônio Ribeiro Netto.
Só neste ano, mais de 4 mil pessoas já foram atendidas pelo Programa nas unidades de Atenção Primária. A maioria dos atendidos é formada por idosos: 58% têm mais de 50 anos. O desafio está em alcançar os mais jovens que hoje têm acesso a diversas formas de nicotina.
“As pesquisas mostram que é uma geração que não fumava e que está começando a fumar. Muitos não se consideram fumantes, o que ainda é pior”, alerta Ana Helena.
O público também é majoritariamente feminino: em 2025, os pedidos de ajuda na rede municipal são 67,8% feitos por mulheres, os homens representam apenas 32,2% dos atendidos.
Um dos enganos mais comuns é acreditar que existem formas seguras de fumar, como o vape e outros Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs). De acordo com a psicóloga Ana Helena, o vape tem uma nicotina sintética, cheia de químicas. O cheiro disfarça, mas equivale a mais do que um maço de cigarro.
A Carla, por exemplo, pensou que ao largar o cigarro tradicional e optar pelo tabaco de apertar teria menos prejuízos, mas percebeu que os danos e o vício persistiram. Hoje, ela celebra os benefícios de largar o vício com a ajuda do Programa.
“Melhorei ainda mais a minha disposição, paladar e respiração. E ainda economizo. Eram R$8,50 por dia e R$3.100 por ano. Já economizei mais de R$12 mil em quatro anos sem tabaco. Com esse dinheiro viajei e comprei coisas que antes não conseguia mesmo porque gastava tudo em cigarro”, conta Carla Ferraz.
Programação Especial
Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, a SMS-Rio realizará, em diferentes unidades da Atenção Primária, ações como café da manhã colaborativo, rodas de conversa, palestras, orientações de saúde bucal e caminhadas. Em lugares de grande movimentação de pessoas, dois eventos vão contar com distribuição de folders, avaliação de saúde bucal e oferta de auriculoterapia. Como ontem (28) no Terminal Gentileza, das 8h às 16h, e hoje (29) no Metrô Rio, das 8h às 16h.