Médicos de hospitais de emergência do Rio dão orientações para a prevenção - Foto: Equipe de Comunicação do Hospital Souza Aguiar
Férias escolares, é hora de acender um alerta. A prioridade da garotada é brincar e relaxar de dezembro a fevereiro, e é neste período que os responsáveis devem redobrar a atenção com os pequenos para evitar os acidentes domésticos, que tendem a aumentar nesta época do ano e podem resultar em atendimento hospitalar. Médicos que atuam em hospitais de emergência no município do Rio fazem um alerta sobre essas ocorrências e orientam sobre como preveni-las.
Os acidentes domésticos mais comuns entre crianças e adolescentes até 17 anos são traumatismos diversos por quedas da própria altura ou de local elevado, ingestão de corpos estranhos, torções e ferimentos na cabeça, no lábio e na cavidade oral, queimaduras por objeto quente (panela, ferro de passar, etc) ou eletricidade. Em janeiro de 2024, 5,1% dos atendimentos nos hospitais municipais do Rio tiveram esses tipos de relatos. Um ano depois, o percentual foi de 7,8%. Na faixa etária até 10 anos, os meninos são a maioria entre as crianças atendidas.
“A vigilância constante e a clareza nas orientações são a base da segurança infantil, especialmente durante as férias escolares. Crianças pequenas, por exemplo, não podem ficar desacompanhadas em momento algum. É crucial que a família defina um responsável direto. Seja em casa, na praia ou em passeios para garantir que a atenção dedicada à criança seja ininterrupta. A distração é o principal fator de risco em acidentes. Nesses períodos, a vigilância é, sem dúvida, a palavra-chave”, orienta Viviane Saeger, médica pediatra que trabalha há mais de 10 anos no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro.
No primeiro dia de férias da escola, Miguel Oliveira, de 14 anos, quebrou a perna enquanto jogava futebol na rua, com os amigos do bairro Engenho Novo. Ele não contava que o seu descanso merecido depois dos estudos ao longo do ano iria se iniciar no Hospital Municipal Souza Aguiar (HMSA). Ele ficou internado na unidade durante alguns dias de dezembro, ficou com a perna imobilizada com gesso, realizou os exames pré-operatórios e fez sua cirurgia com segurança. Flamenguista apaixonado, ele recebeu alta hospitalar e agora a prioridade é cuidar da saúde para brincar com segurança e ainda aproveitar uma parte das férias.
“É a primeira vez que Miguel se machuca dessa forma na época das férias. Vamos nos preparar mais para evitar futuros acidentes domésticos”, contou Lidiane Oliveira, mãe do garoto.
Ingestão de objetos pode representar um grande risco para bebês
Em 2025, o Hospital Municipal Rocha Faria (HMRF), em Campo Grande, registrou mais de 138 atendimentos por ingestão de corpos estranhos, como moedas, baterias, partes de brinquedos, pulseiras, botões, entre outros. Objetos pequenos são os verdadeiros vilões dos bebês, causando complicações graves de perfuração ou asfixia. Os sintomas mais comuns são: náuseas, excesso de saliva, vômito e dificuldade de engolir.
“Mais de 90% dos casos de corpos estranhos atendidos no Hospital Rocha Faria são resolvidos na emergência, sem necessidade de intervenção cirúrgica. Precisamos alertar também para a ingestão de produtos cáusticos, as substâncias químicas, como água sanitária, produtos de limpeza e até mesmo os medicamentos. São perigosos. Eles devem ficar numa parte superior que não esteja ao alcance das crianças”, diz Helder Silva, coordenador da pediatria do HMRF.
Especialista no tratamento de queimaduras, o chefe do Serviço de Cirurgia Plástica Reparadora e Queimados do Hospital do Andaraí, Orido Pinheiro, tem 40 anos atuando de atuação no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), e fala sobre as crianças e adolescentes que chegam à unidade, com queimaduras de segundo e até terceiro grau, as mais graves.
“É importante relembrar que, em casa, lugar de criança não é na cozinha. O percentual de crianças apresentando queimaduras nas férias é, em média, de 20% a 30% maior do que no restante do ano. Existem cuidados que fazem diferença no dia a dia. Desde manter as panelas e frigideiras com os cabos para dentro, não colocar líquido ou prato quente próximo do alcance de crianças até o manuseio do óleo que precisa ser feito com responsabilidade, para não causar impactos profundos na pele de maior sensibilidade dos pequenos”, recomenda o médico Orido Pinheiro.
Em caso de qualquer emergência, a orientação é buscar uma unidade hospitalar de urgência e emergência. A rede municipal de saúde conta com oito centros de emergência regional (CER), 10 hospitais e 15 UPAs distribuídas por toda a cidade.













