Profissionais que vão atuar nos Centros em Saúde e Clima chegaram ao Rio para visita técnica - Foto: Edu Kapps/SMS
A cidade do Rio recebeu profissionais da 1ª turma da oficina de formação dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISCs), do Ministério da Saúde, nesta terça-feira (13), para conhecer de perto o pioneiro Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo e as estratégias de trabalho e de comunicação para a rede. Também estavam presentes embaixadores do MS, da Organização Pan-Americana da Saúde e de outras instituições renomadas para visitar o Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR) e o Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE).
Os Centros de Informação em Saúde e Clima foram criados para reforçar o monitoramento de riscos climáticos e sanitários, como ondas de calor, chuvas intensas e até impactos do El Niño. Em torno de 40 profissionais concluíram a oficina, realizada em dois meses, para atuação plena nos oitos CISCs distribuídos pelos estados brasileiros (Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Santarém e Salvador).
“O trabalho integrado entre os órgãos e o uso de dados são fundamentais para orientar as ações necessárias e identificar o momento certo de ativar os protocolos. Essa atuação conjunta permite uma resposta mais rápida e eficiente na proteção da saúde da população”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado, que esteve presente na abertura.
Cada CISC contará com um gestor e cinco integrantes, sendo um cientista de dados, um especialista em tecnologia da informação, um geógrafo, um climatologista e um epidemiologista. Como colaboradora do MS, a SMS disponibilizou a equipe técnica do CIE para apoiar na formação dos alunos, com aulas dinâmicas que mostraram tecnologias usadas para monitoramento do cenário epidemiológico.
“O Rio tem sido parceiro desde o início do projeto em ajudar no processo de pensar nesses Centros até a formação de análise de dados. Estamos apoiando o desenvolvimento da resiliência e adaptação da mudança de clima na gestão SUS de outras cidades”, compartilhou a superintendente de Vigilância em Saúde, Gislani Mateus.
O que coloca a cidade do Rio no centro do debate é o protocolo operacional para calor extremo focado nos impactos à saúde pública. Ele estabelece níveis de alerta (de Calor 1 a Calor 5) e orientações específicas para diferentes cenários de risco, mobilizando secretarias e serviços municipais de forma coordenada. Com a resolução inédita, o município recebeu prêmio da Bloomberg Philanthropies que reconhece políticas locais eficazes e inovadoras de enfrentamento às mudanças climáticas, em 2025, durante o Fórum de Líderes Locais da COP30.
Para Agnes Soares, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, a junção de informações climáticas e de saúde é um avanço para fortalecer a preparação e a resposta do SUS a eventos extremos.
“O CISC é a materialização da intenção de juntar dados de saúde e clima para serem usados pelos gestores do SUS e para facilitar a preparação, adaptação e resposta do SUS a eventos climáticos extremos. O Protocolo de Calor do Rio é muito inovador, principalmente porque ele já traz incorporada a questão do diagnóstico e da ação. Incorporar isso como instrumento de gestão é a parte nova e é o que a gente está trazendo como aprendizagem para o resto do Brasil. Como a gente transforma esse conhecimento em ação é que protege a saúde da população”.
A oficina de conclusão segue com programação na quarta e quinta-feira (15). Os formandos vão expor o trabalho de conclusão de curso, o Boletim de Calor, no Hospital Municipal Souza Aguiar. A Coordenadora do CIE, Caroline Ferreira, participa de debates sobre inovações e fortalecimento dos CISCs. E os epidemiologistas do CIE, João Henrique Morais e Ayrton Gouveia, vão participar da discussão dos boletins apresentados pelos alunos.













