Clínica da Família de Rio das Pedras promove alfabetização

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Publicado em 23/02/2026 - 16:30  |  Atualizado
Iniciativa transforma a realidade dos usuários e facilita o acesso à saúde - Foto: Divulgação SMS

Saber ler e escrever é um direito de todos. Há mais de dois anos, a Clínica da Família (CF) Helena Besserman Vianna, em Rio das Pedras, oferece aos usuários o projeto Escrevendo Histórias, que promove alfabetização para adultos e idosos da região. Ao todo, o projeto já beneficiou mais de 30 pessoas moradoras de Rio das Pedras e comunidades próximas e já foi até apresentado internacionalmente na Conferência Mundial de Medicina de Família e Comunidade (WONCA World) 2025, em Lisboa.

O projeto teve início em maio de 2023, com o objetivo de alfabetizar adultos e idosos que não sabem escrever ou que tenham dificuldade com a leitura e a escrita. A ideia surgiu quando os profissionais da unidade notaram que alguns pacientes não conseguiam compreender instruções médicas, seguir o tratamento corretamente e comparecer a consultas médicas. Oferecidas durante três dias na semana, as aulas são ministradas por professores voluntários, sempre após o encerramento das atividades na unidade.

Segundo o agente de saúde Lucca Chagas, um dos idealizadores e professor voluntário do projeto, o propósito das aulas é oferecer autonomia e inclusão social aos usuários:

“Quando o projeto começou, eu entrevistava as pessoas para saber quais eram as questões que precisávamos desenvolver. O objetivo era proporcionar independência e inclusão para essas pessoas que, por não saberem ler, tinham algumas dificuldades como, por exemplo, dependência de um acompanhante para ir à consulta médica. O analfabetismo também influencia na questão da saúde. Sem saber ler, a pessoa não consegue identificar o remédio que precisa tomar para seguir com o tratamento”, conta o agente de saúde.

A dona de casa Ana Lúcia Viana, de 63 anos, faz parte do projeto desde o início. Ainda jovem, ela não conseguiu estudar porque precisou trabalhar muito cedo. Foi convidada por Lucca para participar das aulas, após os profissionais identificarem que a usuária faltava às consultas agendadas para outras unidades, por não conseguir pegar ônibus sozinha. Ao entrar no projeto, ela não sabia nem ler nem escrever o próprio nome, mas aprendeu a escrever seu nome em duas semanas. Hoje consegue ler a própria receita e tomar os medicamentos sem ajuda.

“Eu nunca tinha estudado antes. Quando cheguei aqui, não sabia de nada, não conseguia nem assinar meu nome. Fui aprendendo o som das letras e agora consigo juntar os sons e escrever. Hoje, consigo ler muitas coisas, assinar minha receita azul. Fui muito bem recebida e me sinto em casa no projeto”, comemora a paciente e aluna.

Reconhecimento internacional

Após o êxito do projeto, surgiu a oportunidade de contar a experiência de profissionais e usuários da CF Helena Besserman Vianna para outros profissionais da saúde. Supervisora técnica da Área Programática 4.0 e também ex-gerente da CF, Cassiana Dias decidiu inscrever o projeto na Conferência Mundial de Medicina de Família e Comunidade (WONCA World) 2025, realizada em setembro passado, na cidade de Lisboa, Portugal. Segundo Cassiana, a proposta de levar o projeto para a conferência surgiu como forma de valorizar as ações com o cuidado na Atenção Primária à Saúde e mostrar como esse trabalho é capaz de transformar o território.

Para Cassiana, a experiência do “Escrevendo Histórias” consegue ultrapassar o espaço da unidade de saúde, um projeto que nasceu do vínculo entre usuários, equipe e território. A iniciativa foi selecionada pelo comitê científico da conferência, que ocorre a cada dois anos.

“Levar esse trabalho para Lisboa foi como conduzir a voz da Atenção Primária do Rio de Janeiro para um espaço global de discussão e mostrar que, além de indicadores, metas e protocolos, existem histórias, memórias, pessoas e vínculos que sustentam o cuidado e fazem o SUS acontecer todos os dias. Foi emocionante representar a APS do nosso território e ainda ouvir de outros países que o SUS é referência. Saí de lá com a certeza de que, quando a gente acredita no que faz e transforma a prática em conhecimento, nossa experiência ganha o mundo”, celebra Cassiana.

A gerente da unidade Jéssica Ribeiro também ressaltou a importância do projeto para a promoção da saúde no território:

“O projeto mostra como o SUS é abrangente e como ele chega a lugares que a escola não chegaria. Também ensina à população que saúde é mais que um atendimento em consultório. A maioria da população pensa que saúde é apenas estar num consultório e ser atendido por um médico. Mas a saúde também está nas pequenas ações que fazemos nos lugares, como promover um espaço de aprendizado para as pessoas. Isso é promoção da saúde.”

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é o órgão da Prefeitura do Rio de Janeiro responsável por reformular e executar a política municipal de saúde e, como gestora plena do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade, garantir o atendimento universal da população, conforme os preceitos do SUS. É a SMS que, diante do conhecimento das características e demandas próprias da população carioca, organiza as prioridades da saúde pública da cidade, dentro do que é previsto nas políticas públicas e serviços ofertados pelo SUS.

 

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