
Fátima Queiroz é voluntária no Hospital Municipal Miguel Couto fazendo um trabalho emocionante na pediatria da unidade. Na intenção de distrair as crianças do momento delicado que é a internação, disponibiliza miçangas e convida os pequenos para produzirem o artesanato. As produções ficam com as próprias crianças, que as montam com sorriso no rosto. Não apenas as crianças são impactadas com o seu trabalho voluntário, mas também as famílias, que em um momento de tensão, veem na arte manual uma forma de alívio. Todas as quartas feiras são mágicas no hospital através da ação de Fátima, que carrega anos de história e experiência no voluntariado.
Quando a criança precisa de internação, seu psicológico é naturalmente abalado. Há um incômodo natural a partir da inserção nesse ambiente desconhecido, que envolve procedimentos que podem ser invasivos e medicações constantes. “Ela sai de casa, do ambiente, da família e vem para o hospital. No momento em que a Fátima vem toda semana e reúne aqui as mães e as crianças, muda muita coisa”, explica a enfermeira chefe da pediatria, Abadir Cristina.
O trabalho voluntário da Fátima é uma forma de tornar o ambiente mais amigável e mais confortável para as crianças. A mãe de uma paciente, Lucineide de Souza, relata que a pequena fica feliz com as oficinas: “ela consegue esquecer a dor e a vontade de ir embora. Eu também esqueço do tempo fazendo as miçanças”, conta.
O trabalho voluntário da Fátima beneficia os envolvidos de diversas formas: é uma atividade lúdica que melhora o humor e a aceitação do tratamento, trazendo avanço para o estado de saúde clínico e psicológico do internado. Além disso, a arte manual é uma forma de ativar a imaginação infantil: “Acho que esse trabalho que a Fátima faz com as crianças, é uma oportunidade para elas já começarem a mostrar os seus dotes, aumentando a sua criatividade”, afirma a secretária da pediatria, Laureane Santos. E, como apontado por Abadir Cristina, também pode ser um aprendizado que vai gerar recursos para as famílias: “Porque muitas mães aprendem muito e pode ser uma fonte de renda para a vida delas”, completa.
História da voluntária com o Hospital Miguel Couto vem desde a década de 90.
A trajetória de Fátima com o hospital se iniciou em 1997, com as Amarelinhas, grupo que ajudava pacientes e famíliares custeando necessidades básicas, como tarifas de transporte. Hoje, ela encontrou nas miçangas uma nova forma de ajudar, dessa vez, no setor pediátrico: “A minha intenção é divertir, é distrair, é um aumento de tranquilidade, eu acho que isso aí funciona”, afirma.
Fátima iniciou voluntariado com miçangas apenas para crianças, mas com o passar do tempo, percebeu que também era importante interagir com as famílias: “No começo eu não tinha intenção de trabalhar com as mães, mas eu acho que elas precisam muito. Não só de fazer, mas de serem ouvidas. Tem umas que só querem falar, desabafar”. A maioria dos responsáveis são mulheres que estão, muitas vezes, em privação de sono, preocupadas e tensas com a situação de seus filhos e netos.
Ações voluntárias são bem-vindas nas unidades da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro. Diferentes trabalhos são realizados nos hospitais municipais como a terapia do riso, ações com pets, grupos de música, entre outros. Abrir as portas para cidadãos como a Fátima melhora o ambiente hospitalar possibilitando a humanização nos serviços. Saúde também envolve bem-estar, e os projetos voluntários ajudam nessa assistência: “ampliar as parcerias com pessoas ou grupos voluntários é um o nosso objetivo”, destaca a diretora do Núcleo Saúde Voluntário da SMS-Rio, Eliane Fernandes.